quinta-feira, 15 de maio de 2008

MANIFESTO "RENÉ THIOLLIER": PARTICIPE

O Blog RETALHOS DO MODERNISMO

JUNTO NO MANIFESTO: RENÉ THIOLLIER



Seria desdenhável o RETALHOS DO MODERNISMO ficar distante ou "tucanar" neste momento em que unem-se a intelectualidade da Paulicéia e exercita o direito de cidadania na proteção de um patrimônio histórico e cultural da cidade de Mário de Andrade.


Como é sabido, e quem não sabe irá tomar ciência agora, que o Exmo. Prefeito da cidade de São Paulo, formulou um Decreto, instituindo o nome do meu querido e inesquecível governador Mário Covas ao recinto onde dantes fora ocupado pelo grande René Thiollier - isso em plena Avenida Paulista. E, por assim ser, talvez num ato de puro entusiasmo político ou falta de assessoramento refinado, deslizou e acabou interferindo, por enquanto e teóricamente, no desvio da prática da conservação do Patrimônio Público e Cultural da cidade Marioandradiana.


Formou-se então um colegiado de intelectuais e amantes da cultura paulista, na tentativa de uma mobilização culta e pacífica, para solicitar ao Exmo. Prefeito, que revogue ou, sabiamente, apenas e tão somente, "volte atrás" e desista da proposta.


O movimento é o que segue abaixo:


- Realizar um abaixo assinado para futuramente encaminharmos ao Sr. Prefeito solicitando a revogação do Decreto. Para isso, basta entrar no no menu - MANIFESTO e coloque seu nome e RG, no endereço que está abaixo. Os dados serão preservados em banco de dados e somente estarão impressos ao entregarmos o abaixo assinado; peço que indique aos amigos e artistas!
http://www.renethiollier.com/default.asp



Se necessitar de mais informações, entre no site da Revista Virtual "Migalhas":
http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia.aspx?cod=59704


Se ainda não estiver satifeito e necessitar de mais detalhes, clique no link abaixo e leia a matéria editada no Estadão:




Apesar de ter a oportunidade de encontrar uma infinidade de informações a respeito do nosso RENÉ THIOLLIER, segue abaixo uma síntese simplista da atuação desse grande homem quando da realização da Semana de Arte Moderna de 22:


O MODERNISTA RENÉ THIOLLIER

Luiz de Almeida


Impossível pesquisar ou estudar a Semana de Arte Moderna de 22, mesmo partindo do período antecedente, e não encontrar o nome de René Thiollier. Até o Yan de Almeida Prado (que segundo Menotti não entendeu nada do que foi o início do Movimento Modernista – e, na verdade, Yan foi atacado pela inveja de não ter conseguido acompanhar a inteligência dos “moços de 22”, e no fim da vida, na sua insanidade, detonou a Semana), menciona respeitosamente o nome de René Thiollier nos seus ressentidos depoimentos sobre a Semana de 22 e seus personagens.
No discurso de Oswald de Andrade, em 9 de janeiro de 1921, no Trianon, por ocasião do banquete oferecido a Menotti Del Picchia, onde também estavam presentes: Mário de Andrade, Brecheret, Guilherme de Almeida, Armando Pamplona, Mick Carnivelli e RENÉ THIOLLIER, aquele futuro modernista-antropofágico, em seu lindíssimo discurso, entre inúmeras frases, umas poéticas e outras agressivas, chamava a atenção de todos para uma luta árdua contra as adversidades, que poderiam durar anos e anos, mas São Paulo seria uma Paulicéia progressista, pois já havia se iniciado uma revolução cultural desde a exposição de Anita Malfatti e que teria seu instante maior e sua efetivação quando da realização da Semana de Arte Moderna em 22.
Tudo muito lindo. Só que os “moços” de 22 necessitavam de apoio político e financeiro. Para cobrir essas necessidades surgem: RENÉ THIOLLIER, Paulo Prado, Dª. Olívia Penteado e outros.
Mário da Silva Brito, deixa bem claro que a Semana aconteceu no Teatro Municipal por influências políticas, mas principalmente pela organização e dispensa financeira de RENÉ THIOLLIER.



O mestre Francisco Alambert, no seu livro “A Semana de 22 – A Aventura Modernista no Brasil”, ed. Scipione, 2ª Ed. 1994, nas páginas 44/45, deixa evidente a participação efetiva de RENÉ THIOLLIER:



(...)
O escritor e plantador de café René Thiollier foi, segundo ele mesmo, o “empresário” responsável pela administração dos recursos destinados à Semana. No recibo referente ao aluguel do Teatro Municipal, vemos que o nome inicialmente pensado para o evento era Semana de Arte Futurista, abandonado depois pelos participantes, a fim de que não fosse confundido com o Futurismo italiano – que a essas alturas já estava comprometido com o fascismo nascente -, ou simplesmente para demarcar uma originalidade diante das vanguardas européias. Assim Thiollier descreveu seu trabalho de bastidores nas noites de fevereiro:
“O fato é que, sobre as minhas costas, choveram pesadíssimos encargos. Nunca me via assim metido num afogo de trabalhos. Corria de um lado e de outro, perseguido pelo tilintar do telefone. Quando acabava de me fazer ouvido às lamúrias de um descontente, via chegar o bilheteiro, que me anunciava fraca a venda das entradas. Até o Conde X – (uma vergonha! um homem riquíssimo!) -, pretextando um ataque de gota, de que era atreito, havia devolvido a friza que lhe eu rogara que ficasse”.
Thiollier nos dá outra importante informação pra se perceber que, perante a ordem vigente e aos poderes do Estado, a suposta “marginalidade” da Semana precisa ser relativizada:
“Consegui ainda de outro amigo meu, o Sr. Dr. Washington Luís Pereira de Souza, presidente do Estado, que se governo custeasse uma parte das despesas com a hospedagem dos artistas e escritores do Rio”.


Outras passagens envolvendo RENÉ THIOLLIER, para conhecer melhor a história desse homem que contribuiu muito para com a cidade de São Paulo, basta acessar os sites mencionados no início do texto.
O objetivo do projeto é “tentar” convencer o atual prefeito da cidade de São Paulo, que o nosso, pelo menos foi e é para mim, "o grande governador Mário Covas", não ficaria nenhum um pouco satisfeito em ver seu nome sobrepondo o de um outro grande homem que tanto fez e amou a cidade de São Paulo, que foi o modernista RENÉ THIOLLIER.


É pertinente até mesmo mencionar uma segunda proposta ao Excelentíssimo Prefeito da Paulicéia: ler, reler e meditar o discurso de Oswald de Andrade feito no Trianon em 9 de Janeiro de 1921, transpondo as mensagens e os ditos para os dias atuais, que culminarão numa vasta contrariedade à proposta do seu Decreto.


"Não deixe de participar mesmo que você não seja paulista e nem paulistano" - mas é uma pessoa que está envolvida com a cultura e com o Patrimônio Histórico Brasileiro".