sábado, 19 de maio de 2012

LÍBANO MONTESANTI CALIL ATALLAH - DEPOIMENTO


 DEPOIMENTO INÉDITO
DO ARTISTA
LÍBANO M. CALIL ATALLAH
 
Após postar sobre o Manifesto Antropófago = http://literalmeida.blogspot.com.br/2012/04/manifesto-antropofago.html, recebi mensagem do meu amigo, o artista Líbano Montesanti Calil Atallah, contendo um depoimento maravilhoso. E por ser um depoimento inédito não poderia deixar de postar aqui no RETALHOS, pois o “inédito” é um dos seus objetivos principais. Então, sem mais delongas, segue a referida mensagem, exatamente como recebida:

2 de maio, 2012.
Olá
Luiz de Almeida
Como tem passado V.Sa.?
Foi com satisfação que acessei o seu Blog, para acompanhar a notícia sobre o Manifesto de Oswald de Andrade.
Dona Tarsila, em 1971, me disse que fez um quadro para impressionar Oswald, era dia de seu aniversário e ele havia saído. Ela pintou a composição, mas na hora de escolher um título embasbacou-se. Resolveu então tomar em mãos um dicionário de Tupi Guarany, até hoje muito raro, do Padre Antonio Ruiz Montoya. Folheou-o rapidamente, primeiro apareceu à palavra abá ou homem, em seguida continuou folheando, apareceu a palavra purú ou carne humana. Para ela, Dona Tarsila valeu como “Abá-Purú”, ou "O Homem Que Come Carne Humana”. Satisfeita com a expressão acabou por adotá-la como título da obra.
Quando Oswald chegou, em casa, à noite, ela noticiou-lhe sobre a obra dizendo que havia pintado um quadro para ele. Hora! Então vamos ver. Ela descobriu o quadro enquanto Oswald surpreso comentou assustado: "Nossa, mas o que é isso?!", Dona Tarsila é o Abá-Purú. O que vem a ser isso? Perguntou-lhe Oswald. Homem que come carne humana! Eufórico Oswald imediatamente proclamou o Movimento Antropofágico, "Então vamos fazer um movimento em torno deste quadro". O que culminou com o lançamento do manifesto publicado na Revista Klaxon.
Esse depoimento foi-me dado pela própria Dona Tarsila eu o levei para minha escola, em uma fita k7, na época eu ainda estudava na escola Professor Gualter da Silva, a professora de Educação Artística me deu nota dez. Não podia me esquecer, eu era mui arteiro, sempre ficava no vermelho. Na verdade não tinha nem me dado conta do feito. Só mais tarde quando todos nós brasileiros, que logo ao nascer, já nos acostumamos com a obra “Abá-Purú” e sua autora. O maior nome da história de nossa arte. Agora o quadro, já viu né, que furo! Vamos ter que vê-lo lá na Argentina.
Além disso, o quadro pertencia ao colecionador Érico Stickel, eu convivia com o ele em seu escritório, na época, instalado na Rua São Francisco, depois transferido para a Rua Bela Cintra, onde logo em seguida o vendeu. Dr. Érico sentiu a falta do quadro. Eu Tambien!

Líbano Montesanti Calil Atallah