segunda-feira, 2 de julho de 2012

A MÚSICA NA SEMANA DE 22: VILLA-LOBOS (REVISADO)


A MÚSICA NA SEMANA DE 22
VILLA-LOBOS: REVISADO

Desenho nanquim, de Luiz de Almeida para o Módulo Música na Semana de 22, para a Exposição Retalhos do Modernismo.

A postagem deste blog: “A Música na Semana de 22: Villa-Lobos e Guiomar Novaes”, de 29/01/2008, foi revista e atualizada, cumprindo parte dos objetivos do Retalhos do Modernismo. “Retalhos”: resultado de atualização de dados ou da temática principal. Após nova pesquisa, principalmente sobre Villa-Lobos, achei por bem postar o quanto antes os novos dados encontrados. A pesquisa não termina nunca. Essa é a sua grande virtude. Ao encontrar novos fatos, fotos, estudos e evidências pertinentes, basta “remendar” com esses novos “retalhos”. E foi assim. Quando se trata de biografia a pesquisa torna-se mais complexa. Vasco Mariz, o musicólogo e biógrafo, e um dos mais eficientes estudiosos do Villa-Lobos, “remendou” a biografia do Maestro e publicou dezenas de livros sobre o nosso grande Maestro. Atualmente: o pesquisador de Villa-Lobos encontra uma infinidade de publicações a respeito, podendo ainda desfrutar do site oficial do Músico (Museu Villa-Lobos), por sinal, espetacular: http://www.museuvillalobos.org.br/.
Sei muito bem que para os aficionados de Villa-Lobos o que mais importa é a sua música. Mas creio que, para conhecer a obra de um artista, independente do seu seguimento, é importantíssimo conhecer sua vida – por isso, a biografia. O intento do Retalhos é trazer uma síntese biográfica dos personagens aqui retratados.
Existem vários livros no mercado sobre Villa-Lobos, suas composições, seus métodos, seus estudos e sua biografia. Segundo o escritor Paulo Renato Guérios (autor do livro: Heitor Villa-Lobos: o caminho sinuoso da predestinação, Edição do Autor, Curitiba, 2009), existem mais de quatro dezenas de biografias de Villa-Lobos, escritas nas mais diversas línguas. E, como mencionado, Vasco Mariz foi o autor da primeira obra biográfica sobre Villa-Lobos – isso em 1946, e publicada em 1949, pela Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores (Mariz era diplomata), com o Villa ainda vivo. Mesmo assim, os dados da infância e da adolescência de Villa são obscuros. Paulo Renato Guérios, na pág. 27, menciona: O musicólogo Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, no prefácio que escreveu para a primeira edição do livro (de autoria de Vasco Mariz), não se furta comentar que nenhum especialista de renome (inclusive ele próprio) tinha se disposto a escrever tal obra: “a complexidade da fisionomia artística de Villa-Lobos, a fabulosa extensão e a variedade de sua obra, impunham um respeito quase sagrado”. “A afoiteza da mocidade sobrepôs-se a esse respeito, desconhecendo os escrúpulos dos mais velhos e deu-nos o livro de que precisávamos”. Sendo assim, desde 1946, para falar de Villa-Lobos, obrigatoriamente, temos que passar pela biografia elaborada por Vasco Mariz. 
É do conhecimento de todos os estudiosos e pesquisadores, que o nosso Maestro tinha um defeito que prejudicou muito os seus biógrafos: “Villa era mentiroso. As mentiras eram quando perguntavam sobre a pessoa dele”. Prova disso são as diversas versões que ele deu sobre sua verdadeira idade. A cada vez perguntado, Villa dizia uma data. Apesar da confusão estabelecida, a atitude de Villa acabou propiciando aos biógrafos atenção redobrada nas pesquisas – além da ansiedade provocada aos pesquisadores em acertar. Enfim, o fato das mentiras acabou, intencionalmente, provocando intensificação nas pesquisas e propiciando novas descobertas de outras facetas do biografado.
O Retalhos procura, de forma simples, arregimentar dados dos biógrafos, mestres e pesquisadores existentes e disponíveis. Adiciona um pouco mais de “recheio” na biografia a ser postada aqui com outras informações da época enfocada, dados históricos, depoimentos, cartas e notas pertinentes a intelectuais importantes do período. Esse “recheio”, que não consta na formatação das biografias clássicas, permite que a leitura da biografia torne-se “um pouco” mais agradável, pois quebra a sequência sistemática e repetitiva, tipo relógio-cuco. Somente isso. No caso do Villa-Lobos procurei adicionar algumas cartas trocadas entre Mário de Andrade e Manuel Bandeira. São apenas alguns trechos importantes que nos proporcionam uma visão diferenciada do pensamento e do convívio que tinham com o Villa.
 Gosto de enfatizar a importância dos livros publicados oriundos de incansável, profunda e responsável pesquisa. É muito cômodo entrar na Internet e “buscar” pelo assunto desejado. Após leitura, desliga-se o computador, permanecendo poucos dados na memória do leitor. As anotações parciais não produzem nada, pois se transformam em apenas “lembretes”. Ainda, graças a Deus, o importante são os livros. Neste nosso caso, Villa-Lobos, cravo aqui, com satisfação, singela divulgação do livro (não tenho esse hábito, pois temo pela minha euforia) de autoria do Paulo Renato Guérios [mestre e doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001/2007), com doutorado sanduíche na École des hautes Études en Sciences Sociales (Paris, 2004). Atualmente é professor adjunto e chefe do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná], título mencionado no terceiro parágrafo acima. Os que tiverem a possibilidade de adquirir essa obra vão estar diante de um enorme apanhado da vida e obra de Villa-Lobos. Um trabalho maravilhoso do Guérios, que merece ser turibulado não só pelos pesquisadores, estudantes, músicos e aficionados do Villa, mas por todos aqueles que valorizam os bons escritores e respeitáveis pesquisadores nacionais. Realmente é uma obra de grandiosa importância, que devemos, como brasileiros, ter a honra de conhecer e propagar. Quem se interessar em adquirir essa obra, basta entrar em contato com: Editora Parabolé: contato@parabole.com.br ou no site www.parabole.com.br. A obra de Paulo Renato Guérios é uma exata fotografia do Maestro Villa-Lobos.
A referida obra do Guérios foi-me apresentada pela pianista paulistana, Sra. Maria Elisa Ferreira Risarto, especialíssima nas Cirandas do Villa. Por falar nessa pianista, não poderia deixar de mencionar que: a convite do casal Risarto, quando da minha recente passagem pela Paulicéia, tive o privilégio de ouvir algumas das Cirandas, num mini e improvisado concerto, sentado numa cômoda poltrona, estrategicamente posicionada pelo Sr. Risarto, ao lado de um dos pianos, na grande “sala estúdio” da bela residência do casal. Privilégio para poucos, motivo que me deixará envaidecido para o restante de tempo que me sobra de vida. Minha gratidão ao casal Risarto.
O Dileto leitor que conheceu a postagem “A Música na Semana de 22: Villa-Lobos e Guiomar Novaes”, antes da presente revisão, estranhará o fato de não ter revisado a síntese biográfica da pianista Guiomar Novaes. Pois bem, estou elaborando. Tão logo consiga completar a pesquisa, postarei a “Guiomar”, revisada. Caso alguém possua algum texto ou informação inédita dessa nossa Pianista, por gentileza: “entre em contato”. Por enquanto, somente “Villa-Lobos”.
Clique no link abaixo para ser conduzido 
até a postagem revisada:
 
http://literalmeida.blogspot.com.br/2008/01/msica-na-semana-de-22.html 


(Luiz de Almeida)